A GAIVOTA DO MAR
A Ilha
Verde revirou os olhos espantados ao ver um barco tão pequenino, como nunca
nenhum tinha entrado no seu porto.
- Olá!
Bom dia! Eu sou a Ilha Verde. E tu, como te chamas?
- Eu
sou o Barquinho Sem Nome.
- Sem
nome? – admirou-se ela, abrindo ainda mais a boca da enseada.
- Sim.
Tu só dás nome a alguma coisa de que gostas; e como eu ainda não tive quem
gostasse de mim, não tenho nome.
- Se
calhar é por seres pequeno e ainda não te dares com muita gente…
- Já corri alguns mares e já vou conhecendo os
ventos e as correntes. Mas as pessoas… é mais difícil. A minha vida é sempre a
navegar e não tenho tempo para criar amigos. Quando chego a uma terra, estou
tão cansado que só me apetece dormir. E, assim, passo por muitos sítios e por
muita gente, mas nunca conheço ninguém, nem crio laços de amizade. Por isso não
tenho nome…
- Mas
deve ser bom poder viajar como tu… - suspirou a ilha. – Queres levar-me
contigo?
- Tu
és uma ilha e eu não posso transportar-te. Tu estás presa à rocha lá por baixo do
mar. Mas podes divertir-te a mergulhar fundo nas tuas águas, vendo as plantas
marinhas dançarem ao som da música do silêncio e dos coros de peixes que abrem
e fecham as bocas ao mesmo ritmo. Tu tens a sorte de ter sempre a teus pés esse
espantoso mundo do fundo do mar. Não lamentes não poderes vir comigo.
- Tens
razão: também é bom ser como sou. Mesmo assim tenho pena de não conhecer outras
paragens…
- Se
tens tanto desejo de ir pelo mundo fora, o mais que eu posso fazer é levar uma
das tuas gaivotas e ela depois conta-te como é esta vida de viagem.
E
assim foi. Sortearam a quem caberia a vez e foi a gaivota mais traquina da Ilha
Verde que se preparou para partir.
Às
vezes ficavam longo tempo calados, sentindo o bater das ondas rasgadas pela
quilha do barco. Outras vezes, punham-se a fazer corridas, a ver quem levava a
melhor. O que interessava era mesmo a brincadeira e acabavam por esquecer quem
ganhava ou perdia.
E
tornaram-se tão inseparáveis que o Barquinho Sem Nome passou a ser conhecido
pelo “Gaivota do Mar”.
A
viagem decorria calmamente. O tempo estava bom e o mar era um lago.
Mas
uma noite…